quarta-feira, novembro 30

Uma Genese Violenta

Parte 4 – Encontro com o destino

Há 45 minutos

Alemanha. Sexta-Feira, 31 de dezembro de 1999.

O silêncio foi roto pelo Barão:
- Desculpa, Floresta, eu sei que tu só queres-me ajudar...
- Tudo bem, Krazykat- disse Floresta, abraçando ao Barão.
O Barão quebrou o novo momento de silêncio:
- Senti quando o Mark morreu...mas nunca senti a alma do meu filho deixar este plano da existência.
Floresta respondeu:
- Na verdade eu queria-lhe dizer isso. Não sinto rastos da presença da irmã de Lord Morpheus
- Se nem sequer tu a sentes significa que ela não veio
- Isso não é possivel! Shi deve sempre acompanhar aqueles que entram ao reino dela...
- Isso é verdade, mas se ela não veio e a alma nunca partiu... poderia ser que a alma do meu filho continuasse neste mundo?
-Poderia ser, sim. Mas...
- Poderia ser possivel que Chy-maal tivesse a almazinha?
Floresta asintiu. O Barão continuou pensando:
- Sim, prender um alma...tal ato pode ser feito. Temporalmente um alma pode ficar aprisionada...mas para quê?
Floresta mal podia acreditar que estivesse falando destas coisas. Ela odiava todo tipo de negócios sobre-naturais:
- Um alma não pode ficar aquim para sempre... precisaria um corpo.
- Exatamente! Um corpo! Mas só um corpo sem alma poderia recevê-la sem problemas.
- Os unicos corpos que num pricípio carecem de alma seriam esses horríveis experimentos dos que falávamos no outro dia...
- Os clones...mas ainda ninguém consegue criar um...nesta epoca não...
Uma lembrança fez Floresta tremer o pior. Exclamou:
- Krazykat! Escutei que un geneticista brasileiro disse que estava perto da criação dum clone...mas ninguém acreditou nele
- Se isso fosse verdade... e Chy-maal o soubesse...
- Então talvez ainda possa salvar ao menino!
- Soa absurdo, mas com esse mostro podemos esperar qualquer coisa. Apressa-te Floresta! Tu podes viajar à velocidade da luz! Tu es a única esperança do meu filho! Antes de que o pequeno corpo for corrupto...eu posso deter o proceso por um tempo só...mas deves ir embora!
Mas Floresta já estava na metade da viagem. Ela tinha compreendido a situaçâo. Em segundos já estava do outro lado do mundo, procurando em todos os laboratórios de genética do Brasil. Mas não encontrou o geneticista. Perguntou para uma pequena filifolha que vivia num deles:
- Sim, senhora.Trata-se do doutor Oliveira...mas ele não pôde trabalhar mais aquim. A comunidade cientifica brasileira nâo permitiu os experimentos dele...já tinham suficiente com os problemas causados pelas abelhas africanizadas como para permitir agora o nascimento do primeiro clone aquim.
- E aonde foi o doutor?
- Precisava um pais corrupto e que tivesse uma boa universidade onde fazer os experimentos dele...
Floresta imediatamente soube aonde ir. Segundos mais tarde entrava num laboratório onde estava o horrível mostro, Chy-maal le terrible: - Chère Floresta...prazer de vê-la. Procura alguma coisa, a filha maior da Natureza? – Perguntou de maneira burlona

Floresta não respondeu. Estavam frente a fente. Ela odiava a violência mas sabia que o conflito era inevitável. A vida dum inocente estava em perigo.

sexta-feira, novembro 25

O telefone sem fio


Acho que muito do que diz a Itzia lá embaixo é certo, pois não é um segredo que a vida adulta vem a complicar aquilo que na infância era simples. Antes, eu me lembro, os amigos eram para sempre, o futuro tinha a forma dos meus desejos e todas as pessoas que eu queria continuavam ao meu lado. Era uma época onde eu podia brigar com meu irmão sabendo que ao dia seguinte brincaria com ele como se nada tivesse acontecido, que podia reprobar um exame sabendo que isso não era o fim do mundo, ou fazer o ridículo sem medo nenhum a opinião alheia.

E é que, ser menino, pelo menos para mim, era intuir que o amanhã não importa porque o hoje é para sempre; era ignorar a etiqueta, mesmo nas festas mais elegantes, e me descalçar os sapatos somente porque tinha vontade, era saber que as coisas eram tão simples quanto o fato de que o mundo gira... e issa simplicidade se refletava em tudo o que eu fazia, o que eu pensava, o que eu sentia.

Algum desacordo? Podia-se solucionar com um duelo de jakenpô (você sabe, ese jogo de pedra, papel e tesoura)... Encerrado na casa?, sempre era possível organizar um torneio de esconde-esconde..., mas, se você queria rir –dos outros e de você mesmo– o jogo do telefone sem fio era ideal: para brincar somente se precisava de alguns meninos em fileira, uma frase despropositada e um pouquinho de ludribia para mudar a oração escutada sem que ninguém se desse conta. Por exemplo: alguém cochichava na orelha do seu companheiro:
- O João é um menino bom pra quaese tudo.
- A Martha disse que o João é um menino bom em quase tudo – sussurrava-se para o menino do lado.
- Dizem que o João é um menino bom e... não escutei bem, mas acho que ele diz batatudo – comunicava o terceiro na formação.
E assim seguiam as coisas até que a última criança da fila devia dizer em voz alta a mensagem: “O João é um menino bonde e barrigudo!”, e os risos começavam (perdão João por lembrar isto, esteja onde estiver).

Ontem a gente podia brincar assim, com certa candura e abandono, o que fazia de nossas piores traquinices algo inofensivo e absurdo, mais o tempo nos tem ensinado que cualquer coisa pode ser levada a mal, que todo é um bom pretexto para se sentir ofendido e que o mais importante neste mundo é o amor propio, mesmo à custa dos outros.

Ignoro porque agora as coisas são mais complicadas, por que têm uma pequena semente de perversidade: hoje somos mais facilmente afrontados, aborrecidos, pouco interessados ou fechados en nós mesmos. Hoje pareceria que a gente de alguma maneira sempre está desapontada com alguém, com si mesma ou com a vida... e quando enxergo isto não posso deixar de desejar que as coisas fossem mais simples, como eu lembro eram antes de que o tempo nos arrebatasse o ontem das mãos.

quarta-feira, novembro 23

Uma Genese Violenta

Terceira Parte – Diálogo na escuridade

Há uma hora

Alemanha, Sexta-feira 31 de dezembro de 1999.

A escuridade no dormitório não era problema para Floresta. Via perfeitamente, embora nesta vez desejasse não ter sentidos tão agudos. Mal podia acreditar aquilo que via. ‘Como pode ser ? Minha mãe nunca erra.’ Mas aí estava. ‘Um erro da Natureza? Não pode ser ainda que pareça.’ A unica risposta era ainda mais dificil de aceitar. ‘Uma morte anti-natural? Alguma vez ouvi, mas não o achei possível...acreditava-o uma simples legenda, embora o único ser capaz de algo assim era...’ A voz do Barão cortou os pensamentos dela. ‘Agora compreende?’ A voz dela soou por primeira vez hesitante, com duvida. ‘Compreendo, sim. Mas não o acredito...o corpo do menino está em perfeitas condições! Não tem feridas, nem batidas, nada. Nem sequer percebo substâncias venenosas nele.’ A face do Barão tornou-se ainda mais séria, como se tivesse desejado não ter conferido o resultado que ele já descobrira. ‘Exatamente, cara Floresta. O corpo do meu filho está em ótimas condições. O organismo dele todo está perfeito. Com tudo, ele está morto. Por isso encerrei-me aquim. Era preciso um analise sobrenatural em todos os espectros.’

A incomodidade de Floresta acrecentou-se. Ela sabia como resolver problemas naturais, mas coisas que ultrapassassem as regras dispostas pela mãe dela, ela as odiava. ‘E você já descobriu alguma coisa?’ Von Ruler ficou silente uns instântes. Uma horrível sensação quase não lhe permitia falar. ‘Descobri, sim. Desejava que estivesse errado, mas é a única explicação possível.’A voz dele soava trêmula, vacilante. Por um momento hesitou em falar para ela, mas era preciso. ‘A própria alma dele foi lhe extraída’.

A surpressa e a incredulidade apareceram na face de Floresta. Mal podia acreditar. Porém, por esquisito que soasse, concordou que era a única explição possível para tão raro sucesso. ‘Não acreditava isso possível’. Uma dor grande percebiu-se na voz do Baráo. ‘É, cara Floresta, é. Para alguém suficientemente poderoso e perverso, é possível.’

Agora era o medo o que se apoderava dela, pois essa pequena e simples descripção somente podia pertencer a um só ser e conferiu o que já suspeitara. ‘Esta falando daquele monstro?’. O barão assentiu com um movimento de cabeça ‘Com certeza...Chy-maal le Terrible, o nosso maior nemigo, voltou. E nesta oportunidade ganhou.’

Os maiores temores de Floresta estavam-se tornando verdade. A primeira coisa que pensou foi que iam precisar ajuda. ‘Você quer que faça saber a Lord Markus?’ A súbita risposta do Barão a surprendeu. ‘Quero não. Lord Markus tem outras preocupações.’ Floresta insistiu ‘Mas ele tem grande estima por você. Você mesmo baptizou o menino Mark como homenagem para ele.’ A risposta do Barão gelou-lhe o corpo. ‘A vingança é pessoal. Não me interessa se eu morrer, esse monstro não seguirá existendo’. E por um momento, o silêncio voltou reinar na escura estância do Castelo.

terça-feira, novembro 22

Uma Genese Violenta

Último intermezzo – Há 4 meses

São Paulo, Terça-feira 31 de agosto de 1999.

(Artigo sensacionalista aparecido nesta data na imprensa marrom.)

O ¨DOUTOR QUADRINHOS¨ PERDE A BATALHA

O famoso genetista brasileiro é obrigado a deter os experimentos dele.

O Doutor João Arnulfo (...) Oliveira (...), melhor conhecido pela mídia como ¨Doutor Quadrinhos¨ (devido a um dos sobrenomes dele e pelos fantasiosos experimentos -quase tirados duma revista de quadrinhos- que, segundo ele, fazia para clonar humanos) deixou de trabalhar na Universidade de São Paulo (USP) hoje. ¨A decisão foi tomada conjuntamente por toda a comunidade cientifica brasileira para evitar problemas maiores nos próximos meses¨ disse um representante dessa comunidade, em relação com um novo pronunciamento da Sociedade Brasileira Protetora dos Bons Costumes (SOBRAPROBOCO) indicando que não permitiriam o cientifico seguir com a pesquisa dele, pois temiam a vizinhança do primeiro dia do novo milênio. ¨Dentro da tradição judaico-cristã, é do conhecimento geral que o anticristo será um homem sem alma. Nós acreditamos que um clone pode ser mesmo esse homem. Tínhamos de evitar a aparição dele, sobre tudo estando tão pertos do primeiro de janeiro do ano 2000. Se o Anticristo for aparecer nessa data, estamos certos de que chegaria o fim do mundo¨ falou uma representante da SOBRAPROBOCO numa conferência de imprensa realizada hoje de manhã. Questionado por nosso repórter, o Doutor Oliveira não quis fazer comentários e somente exclamou com raiva: ¨Essas pessoas vivem enganadas. Defendem a religião e nem sequer sabem que o milenarismo é uma heresia! Estão cometendo um grande erro hoje. Estive perto dum logro grande que serviria à humanidade toda. Mal posso acreditar que nos nossos dias, o obscurantismo prevaleça ! ¨. A USP ainda não fez anúncio nenhum , enquanto que o futuro da pesquisa em clonagem deles é incerto.

Notas : palavras em vermelho, podem procurar definição nos comentários

quinta-feira, novembro 17

Uma Genese Violenta

Intermezzo 2 - Há 5 meses

São Paulo, terça-feira 31 de julho de 1999.

Carta da Sociedade Brasileira para a Proteção dos Bons Costumes à comunidade científica.

Nestes dias, parecesse que na luta contra a dessacralização da vida defrontassem-se os cientistas conscientes e os irresponsáveis. Os primeiros exigem respeito ao maior presente de Deus: a vida. Os outros preconizam o uso de embriões humanos nas técnicas de clonagem. Tentam fazer acreditar ao povo que os embriões são apenas ¨ humanos em potencial ¨ embora sejam mesmo seres humanos. A vida começa já na fertilização do óvulo. A Pontifícia Academia para a Vida, criada pelo Vaticano em 1994 e formada por 70 cientistas nomeados pelo Papa ¨não considera moralmente lícita a utilização de embriões humanos vivos para a preparação de células-tronco embrionárias¨.

Se esses argumentos forem insuficientes, os 14 mil membros da Associação Médica Cristã dos Estados Unidos têm a mesma opinião e sinalam que ¨é errado criar vida humana com o propósito de destruí-la¨. Portanto, a comunidade científica deve parar o uso dos embriões humanos nas técnicas de clonagem e não deve permitir os experimentos que alguns cientistas estão fazendo. Se não for assim, a sociedade civil pode levar este caso às autoridades do governo Federal.

quarta-feira, novembro 16

Uma Genese Violenta

Intermezzo 1 - Há 6 meses

São Paulo, Sábado 31 de julho de 1999.

Carta do Doutor João Arnulfo (...) Oliveira (...) à opinião pública.

Embora o que as pessoas geralmente acreditam, a clonagem é basicamente uma técnica de reprodução assexuada (sem a união do óvulo e do espermatozóide) e que origina indivíduos com genoma idêntico ao do organismo provedor do DNA. Infelizmente, a falta de informação e o fato de que a clonagem é ainda uma técnica em aperfeiçoamento, provocam que muitas pessoas vejam com medo este processo. E para o meu pesar, é a sociedade quem impõe limites à ciência. Eu acho que o problema maior é que muitas pessoas não distinguem entre a clonagem reprodutiva e a terapêutica. A primeira tem gerado desde há muito, uma polemica mundial, muito ajudada pela mídia, enquanto que a clonagem terapêutica é simplesmente uma transferência do núcleo duma célula para um óvulo que não o tem. Esta técnica nada mais é um aprimoramento das técnicas hoje existentes para culturas de tecidos que são realizadas há décadas. Usando-a poderíamos potencialmente gerar em laboratório, qualquer tecido que uma pessoa precisasse (por exemplo, de medula). Neste caso, o doador seria a mesma pessoa, evitando a rejeição. Isto vai abrir o caminho para uma nova forma de curar doenças e inúmeras pessoas serão beneficiadas.

No nosso país as pesquisas sobre a clonagem vêm-se desenvolvido aos poucos e se espera clonar uma bezerra para o 2001 (segundo a EMBRAPA) e muito se começa fazer na rama das pesquisas com células-tronco adultas, extraídas do cordão-umbilical de bebês ou da nossa própria medula espinal. Tenho de admitir que as células de maior interesse são aquelas dos embriões. Este é um passo polêmico, mas necessário para continuar com as pesquisas. Estamos falando dum conjunto de células que ainda não podemos chamar de indivíduo. Peço-lhes muita compreensão nisto.

Em resumo, a cultura de tecidos (clonagem terapêutica) é uma prática comum no laboratório, apoiada pela comunidade científica. A diferença com a clonagem reprodutiva é o uso de óvulos, que quando não fecundados são apenas uma célula e que poderiam permitir a produção de qualquer tecido no laboratório. É importante que as pessoas entendam a diferença entre as duas técnicas antes de se posicionarem contra as duas tecnologias. É fundamental que a nossa legislação apóie também essas pesquisas porque elas poderão salvar milhares de vidas.

quinta-feira, novembro 3

O mexicano frente ao dia dos mortos




Cómo é que o mexicano celebra o dia dos mortos? Bom, nos temos a tradição de fazer “ofrendas” onde colocamos coisas típicas como flores de cempazuchitl, doce de abóbora, frutas da temporada, calaveiras de doce (açúcar, chocoate e até amaranto), pão de morto, comida mexicana, e adornos com papel picado. Alem disso, colocam se as coisas favoritas dos mortos (para aos que vão se dar a ofrenda) como cigarros, garrafas com tequila, vinho ou alguma outra bebida, brinquedos, etc.

Outra tradição que temos é fazer “calaveirinhas”, fazer versos engraçados que tenham relação com as pessoas de quem se fala nelas. Estas podem se dedicar a pessoas vivas ou mortas, o importante é que tenham muita creatividade e que digam coisas deles e a relação com a morte.

Também se fazem alguns desenhos de pessoas, caricaturas, mas como se fossem calaveiras. Estes são brincalhões e tentam retratar a pessoalidade delas.

Por essas e outras coisas é que se diz que o mexicano se ri da morte, mais é verdade? Então cómo é que cuando uma pessoa querida morre e tão doloroso para os vivos.

A morte tem sido un tabú na historia da humanidade, nas culturas antigas uma característica de algumas foi o culto a morte, ainda é, a gente faz funerales, asiste ao cemitério, fala como os mortos, reza orações, fala com Deus. Alem disso é todo um mistério, porque até hoje ninguem sabe o qué é a vida depois de morrer.

O mexicano não se ri da morte, isso é só uma tradição que temos e que gostamos de celebrar. A gente ainda não tem cosciência que todos temos que morrer e que quando esse momento chegar, vamos ter que aceitar como só uma coisa natural. As veces se diz que quando alguém morre, nos choramos não só pelo afastamento da pessoa senão porque não sabemos cómo é que será a nossa vida sem ela.

No México jogamos com a morte, rimos com ela e dela, mais só no día dos mortos, pela tradição mais não porque sejamos um povo com uma cultura da morte muito avançada.

Ou, qué é que você acha?

terça-feira, novembro 1

Uma Genese Violenta

Segunda parte

Morte Antinatural

A única luz no dormitório entrava pela grande janela central e iluminava o luxuoso leito onde yazia o corpo do menino. A face dele, o aspecto, o semblante, a apariência toda era duma tranqüilidade imensa. Parecia, de fato, simplesmente dormido. Dificil era acreditar que estivesse morto.

De pé ao lado do leito, Krazykat Von Ruler observava o pequeno corpo. O Barão estava com o rosto sério. Todo ele estava imóvel, absorto, como quando a gente fica sonhando acordada. Ninguém (tal vez nem sequer ele) o tinha visto assim, pois a alegria e o bom humor dele eram legendários. Mesmo que estivesse tão concentrado, percebeu instântaneamente o momento em que deixou de estar só. Falou para a pessoa súbitamente aparecida detrás dele que estava esperando a chegada dela. Foram as primeiras palavras que articulou desde a hora na que sintiu a morte do menino.

Era Floresta. Dela era a habilidade de viajar com a luz e assim tinha podido entrar. Ela respondeu que logo de saber o acontecido, tinha partido rápidamente. Também lhe falou que ainda não o podia acreditar, embora se o mesmo Lord Morpheus lhe tivesse avisado. Perguntou como tinha acontecido.

O Barão relatou a misteriosa forma na que uns esquilos tinham chamado a atenção duns caipiras e como depois de seguir aos animais, aqueles homens tinham encontrado o menino deitado no bosque, perto da lagoa. Comentou com grande tristeza como ao princípio tinham-no achado dormido, porém quando quissessem acordá-lo, tinham percebido que estava frio. Eles tinham-no trazido ao castelo e desde essa hora, ele estava examinando-o. Floresta não compreendeu essa ultima frase. Perguntou para Von Ruler que queria dizer com isso. A única risposta do Barão foi que para compreender, ela simplesmente devia ver o corpo.

A filha maior da Natureza aproximou-se lentamente, com respeito. Sómente a grande afinidade com a mãe dela lhe permitiu conferir aquilo que com os olhos não podia acreditar. Depois de ter sido testemunha da maior parte da história da vida na Terra, a surpresa e a incredulidade eram sensações quase desconhecidas para ela. Porém, nesta vez, a impressão causada por aquilo que estava vendo era tão grande, que mal podia acreditar o que os sentidos sobre-humanos dela percebiam. Aquilo não podia ser, contradizia todas as regras dispostas pela mâe dela. Ainda que desejasse acreditar o contrário, Floresta soube que era verdade. Ao mesmo tempo pensou que ia enfrentar uma situaçâo diferente, perigosa, e que esse enigma encerrava algo mais complexo que um assassinato comum.

segunda-feira, outubro 31

Obrigado!

Muito obrigado pelas nossas caveirinhas. Você é muito talentoso. Acredito que a maneira mais adequada de agradecer você é devolver o favor (ainda que eu não tenha nem a milésima parte do talento de você).

OMAR

A morte precisava
de ter um assistente,
mas por mais que procurava
não o achava entre a gente.

¨Preciso alguém que saiba,
que seja inteligente,
que trabalhe bem, sem raiva,
e que seja diligente¨.

Lendo o Omar estava
estudando muito ciente
mas a morte, impaciente,
veio e já se o levava

¨Você é quem procurava¨
disse a morte lentamente
e fazendo-se presente
carregou-o e falava:

¨Já encontrei o meu assistente:
Culto, sábio e sapiente¨.

E enquanto Omar lhe reclamava,
já também se resignava.

E para os meninos que ficaram sem uma caveirinha, eu fiz uma geral onde estamos incluídos todos. Até logo gente!

TURMA 502
(ou a verdadeira razão pela qual os alunos já não chegam às aulas)

Os meninos desapareciam
para ¨surpressa¨do Arturo.
As tarefas não faziam
embora lhe dissessem ¨eu juro¨.

A turma foi ficando
sem meninos presentes.
A morte ia os levando
sem que fossemos conscientes.

Os mortos lhe perguntavam:
¨Por que você chegou?¨
As razões não faltavam:
¨O Arturo me mandou¨.

¨Segundo a lista dele
os preguiçosos procurou,
como não vão para o Cele
para mim os entregou¨.

A vingança não é boa:
A turma desapareceu,
mas no céu ainda soa
o portunhol que aprendeu.

domingo, outubro 30

Algumas caveirinhas


Oi galera!, eu quis escrever alguma coisa para vocês com pretexto do Dia dos Mortos. Sei que não se acostumam as “caveirinhas” em português, mas, como este blog é para fazer o que a gente quiser com ele, atrever-me-ei.
Gostaria de ter redigido algo para cada um da turma, mais como há alguns companheiros com os quais não tenho conversado ainda, foi impossível saber que escrever sobre eles.
Espero gostem, e se não gostam, espero desculpem o atrevimento de fazer de vocês os protagonistas desta postagem.


Sandra

A morte invejosa da Sandra
pelos caracóis nos cabelos
um dia de céus amarelos
disse-lhe a caveira malandra.

Porque não comparte comigo
a sua cabeleira frisada
e eu, que me chamam de “ossada”
não serei pra você um perigo.

A Sandra responde zangada
por tais atrevimentos:
“vá embora, aos enterramentos
que eu pra você não dou nada!”


Arturo

O Arturo não entendia
o que acontecia no CELE,
eram menos cada dia
os alunos que iam com ele.

O negócio era que a morte,
se levava aos estudantes
e aos que tivessem a sorte
de tropeçar com ela antes.

Um bom dia a caveira,
ao Arturo, ao céu, se o leva,
para que ali, aos alunos,
os obrigue a fazer a tarefa.


Cristina

Um dia a Cristina quis
intervistar ao São-Pedro
que está no céu feliz
numa cadeira de cedro.

A Cristina lhe perguntava
como combater o mal
pois sabê-lo precisava
para escrever no jornal.

O São-Pedro respondiu
que de isso nada sabia
mais que ela podia tentar
do riso fazer terapia.


Carina

A morte tinha dor de cabeça
e procurou uma aspirina
e alí nossa história começa
pois encontrou a Carina.

Porque não deve vir comigo?,
perguntou-lhe a “ossuda”,
mas saiba que terá castigo
se a sua imaginação não lhe ajuda.

Respondeu, mas, coitadinha!,
se foi a tão curta idade,
pois esta vez a Carina
faltou-lhe criatividade.


Enio

A morte seguia opinando
que o Enio fiz uma loucura
quando pela filologia
deixou a arquitetura.

E se o levou pra obriga-lo
a estudar com os geométras
mas lá não desenha planos
pois ele só gosta das letras.


Rodrigo

A morte chegou por Rodrigo
era um dia qualquer
e lhe disse “venha comigo,
mas eu lhe darei a escolher.”

Ao céu ou ao inferno
é que você quer ir?
“Eu em isso não creio,
se o vou a repetir.”

Rodrigo diz sem padecer:
“não acredito nem o Papa
e se você dá a escolher
melhor volto pra Jalapa.”


Salvador

A ossuda buscava e buscava,
e ainda não descobria,
onde é que se ocultava,
o Salvador da Bahia.

Pela Venezuela indagou,
por quase todo um ano,
pois ela nunca escutou,
que ele já é mexicano.


Nancy

A Nancy se foi uma noite
quando nascia a alvorada
pois agora queria a morte
ter uma menina calada.


Emmanuel

No Universum passeava a morte
quando avistou ao Emmanuel,
mas com ele não quis ser cruel
pois a ajudou a achar transporte.

A idéia da morte era errada
e arrependiu-se a ossuda,
pois sozinha estaria a tartaruga,
essa que chamam “Tostada”


Marquinhos

A Morte aborrecida
de ler sempre o mismo
quis buscar uma saída
ao seu habitual pessimismo.

E procurando a novidade
foi assim pelo Marquinhos
quem por toda a eternidade
desenharia-lhe quadrinhos.


Leticia

A Leticia trabalhar desejava
numa afastada embaixada,
a sua carreira queria lhe dar
por fim uma boa puxada.

No céu, com abnegação,
está arreglando assuntos
que têm com a migração
os mexicanos defuntos.


Itzia e Silvia

A morte passou pela Silvia
mais ela não estava sozinha
pois lá ficava com Itzia,
arrumando uma cozinha.

(E diz a morte:)
“De todas suas atividades
as meninas têm tantas conjuntas
que levarei as duas comigo
pra que vocês sigam juntas.”

Discos

Por coisas do destino cairam nas minhas mãos um par de disco, e gostaria cometá-los com vocês.. O primeriro deles é “anoche” dos Babasonicos. Eu gosto muito da música que façem os Babasonicos, acho que são uma das minhas bandas favoritas, a primeira canção que ouvi deles foi “valle de valium” —não me lembro se o título está bem, mas se não vocês disculparam—, mas isso tem muito tempo, agora com esta sua última produção confirmei que gosto muito deles. Não é que este disco seja uma maravilha, não. Acho que tem a mesma linha que o anterior, quase o mesmo som, incluso o acho um pouco cursi, mas com essa cusileria que só eles podem fazer. Alám disso, o disco tem coisas que são bacanas, como o jeito de que as canções estejam encabalgadas, é dizer, que não haja espaços entre cada uma delas, de fato, se vocês põe atenção, ouviram que quase ao final de uma canção já esta empezando a outra, sem que a anterior haja terminado. Este detalhe eu o achei legal. Por que dá a impresão de que o disco todo é uma só canção. O outro disco que ouvi foi o dos Magic numbers, o primeiro que pensei ao escutá-lo foi que se eu achava que o disco dos Babasonicos era cursi tinha que esperar a ouvir este, pois é ainda mais cursi. Mas não por isso deixa de ser interessante, assim que se vocês quiser ouvir um disco que misture música do sul dos Estados Unidos, brit pop e um pouquinho da cursileria do rock dos anos 60’s, acho que esta é uma boa opção. Se alguém de vocês já ouviu um deste discos gostaria que me dissesse se gostaram deles. Se ainda não os tem escutado posso passá-se-os. Acho que estam para escutá-los num dia chuvoso, desses que não queremos sair da nossa casa.
Bom eu tenho que ir embora, tchao.

Uma genese violenta


Primeira parte

O fim da inocência


O majestoso castelo alemão geralmente cheio de movimento, alegria, jogos e risos, agora estava preso numa escuridão lúgubre e num silêncio sepulcral. Os visos alegres dos moradores tinham-se tornado sombrios. Os risos tornaram-se choro. O quadro era acorde com a situação: O filho do dono tinha sido assassinado. Até no pequeno povoado em baixo do morro do castelo, as pessoas ficaram paradas, machucadas. A população mal podia acreditar que o filho do protetor deles, o pequeno Mark Von Ruler, estivesse morto.
- Não pode ser, não! – exclamou a padeira.
- Foi mesmo de manhã que o menino veio e apanhou o bolo com manteiga que sempre comia...
- Eu sei, mulher, eu sei...- disse o marido dela.
- E o nosso senhor ? O que fará o Barão ?
- Sei lá! Na verdade, ninguém sabe... a ultima coisa que soube é que o Barão Von Ruler encerrou-se no dormitório dele com o corpo do menino. Não quer sair nem falar com ninguém.
- Virgem Maria, que grande pena! Primeiro a senhora dele... e agora o fío...mas porquê? Se ele é tão bondoso...
- Não sei mulher, não sei. E agora...
O padeiro ficou silente, pensativo. O ambiente tornou-se cinzo, o ar frio. A boa mulher sintiu um calafrio. Com receio, quase com medo, perguntou:
- E agora... o que vai acontecer ?
- Minha cara Friedericke. Só posso-te dizer que se alguém pôde assassinar tão facilmente ao filho do nosso poderoso senhor, então eu temo pela vida dele... e pelas vidas de nós todos !
Os sons dum vento gelado acompanharam o pranto de Friedericke.

terça-feira, outubro 25

Oi! Galera, aquí está mivha narraç̃ao espero que gostem dela.

Ontem na noite lembre-me duma personagem que mora nas ruas do bairro Escadón —onde também moro eu—, e quando digo que mora nas ruas ñao é num sentido metafórico, é verdade. Ele tem seu apartamento sobre a calçada, ao menos, isso é o que ele diz. Seu teto s̃ao as estrelas e suas paredes o ar. Ele é feliz nesse lugar, mais quando tem uma garrafa de vinho ou álcool. Assim que sem maior preâmbulo lhes direi o nome desta personagem: “Kaliman” —bom, esse ñao é seu nome, mas é assim como a gente o conhece—. Seu nome verdadeiro pode ser Pedro ou Juan ou tal vez Alejandro, ele sempre o muda. Mas para fins práticos vamos chamá-lo por seu apelhido.
Kaliman tem alguma idade entre os 40 e 50 anos, ñao sei bem. É um pouco encurvado e de pele enrugada e preta, já quase ñao tem cavelo, embora tem uma energia increível. Mas o que ressalta da figura do Kaliman s̃ao suas m̃aos. Elas opacam tudo o demais. Suas m̃aos s̃ao quase do tamanho do meu rosto. Assim que vocês podem imaginar que passa quando ele fecha as m̃aos e p̃oe-se em guarda. É uma coisa que dá medo. A primeira vez que o vi, fiquei surpresso, como era posível que alguém pudesse ter os punhos t̃ao grandes, seguramente ele tinha algum record em Ripley graças a esses descomunais punhos. Ñao acreditava. Ele era quase como o m̃aos de pedra Durán, aquele boxeador do Panamá. Tinha que conhcer a historia do Kaliman.
Depois dessa primeira impres̃ao que tive do Kaliman, passou algum tempo para que o voltasse a ver. Durante esses dias descobri que ele era assim, ficava na rua onde eu moro umas semanas e logo ía-se para outra rua. Ñao passou muito tempo antes de que ele voltasse, pois na minha rua ele tinha tudo o que precisava para viver, além, de muitos conhecidos que sempre estavam dispostos a dá-lhe uma moeda para sua garrafa de álcool. O dia que voltou, eu estava com um amigo, falavamos de alguma coisa que agora ñao me lembro. —nada importante—. O importante é que ele apareceu com seus punhos grandes para um caralho, que bem poderiam estar valuados em uns quantos milh̃oes de dólares se o Kaliman fosse boxeador nos Estados Unidos. Acercou-se nos e, entanto sua voz quebrada dizia —um, dois, três, jicamas; bateu ao ar com movimentos rápidos. Ao final desta demostraç̃ao de técnica disse-nos —com essa combinaç̃ao ficavam no ch̃ao. Depois disso voltou para mim e, com a mesma voz, disse-me —fraco empresti-me um peso. Eu tirei da bolsa de minha calça uma moeda e di-se-a. Mas em troca eu pedi-lhe que me contasse se alguma vez tinha sido boxeador. Com um sorriso que iluminava seu rosto me disse —deixa vou por uma garrafinha e quando voltei conto para você meus dias de boxeador.
O Kaliman partiu, mas eu estava a ponto de conhecer qual era sua verdadeira historia, meu amigo ñao ficava t̃ao emocionado como eu, assim que decidiu ir-se embora. Esperei e esperei até que o Kaliman voltou, e agora sim com sua garrafa na m̃ao, ficava presto para contá-me suas aventuras de rapaz.
Començou falando do ginásio onde treinava, chamava-se “Lupita”, e ficava em Tacubaya. Aí ele tinha empeçado sua carreira de boxeador, falava das horas de treinamento, do esforço que é converti-se em boxeador, da sua namorada, do difícil que foi para ele conseguir sua primeira briga e tantas outras coisas mais. Até que finalmente chegou ao momento triste da historia. Deu um grande gole a sua garrafa, respirou e disse-me —fraco ñao todo na vida é como um quiser que fosse. Olha para mim, eu que estava no melhor momento de minha carreira, a uns quantos dias de brigar pelo campeonato nacional e casá-me com minha namorada. Tudo foi-se à merda. Mas que foi o que aconteceu —perguntei para ele. —Nada eu achava que era invensível que ninguém podia conmigo, mas houve alguém que o fiz, se fraco alguém me ganhou. Quem foi –perguntei para ele com muita vergonha. —Minha namorada, a Olga. Como? —disse-lhe. Mas que você ñao ía casá-se com ela. Ía, sim —contestou. —Ent̃ao que acontecio. Com lagrimas a ponto de sair de seus olhos o Kaliman me disse —Essa noite, três dias antes de que brigasse pelo campeonato, briguei com a Olga, ñao pude contralá-me fraco, eu bate no rosto dela. Fiquei surpresso por t̃ao terrível imagem, ainda ñao posso imaginar como ficou a pobre da Olga. Acho que muito mal. Depois dessa noite —continuou dizendo o Kaliman—, eu ñao fico tranqüilo, tive que fugir para os Estados Unidos, morei lá dois anos, mas outra vez cometi um erro e voltei para Mexico, e agora vê-me, fraco, aquí morando nas ruas, com a lembrança que me atormenta o tempo todo. O Kaliman començou a caminhar sem rumo fixo, embora eu lhe gritasse que voltasse. Depois dessa noite nada foi igual, agora cada veio ao Kaliman sinto uma grande dor por ele, mas tambén para ele as coisas ñao foram as mesmas, cada que me vê disse-me —fraco amanh̃a vou-me para os United.

segunda-feira, outubro 24

Milo Minako

Quando minha irmã chegou naquele día, carregando um bichinho de dois meses de idade que cavía na sua mão, não podía ter imaginado que 6 anos depois, esse pequeno seria praticamente um membro mais da minha família. Milo, também chamado Mina pelo sobrenome dele, é um desses gatos que rápidamente podem alterar a paz e tranqüilidade duma casa. Não somente pelos jogos que costuma fazer, mas também pela inteligência que desde pequeno, tem sido a característica dele mais notável. Até agora, não sei se todos os gatos são assim porque às vezes ele tem atitudes proprias duma pessoa (talvez alguns de vocês que tenham ou tenham tido gatos possam-me comentar depois de ler esta descrição). Ele é vengativo. Se alguém machuca ele, Mina somente se esconde, espera a oportunidade e ataca os pés da pessoa que machucou-o. Também é caprichoso. Quando ele quiser, qualquer pessoa pode acariá-lo e ele torna-se carinhoso, mas quando já não quiser mais carícias, Mina ameaça com a pata para fazer a pessoa desistir e se esse pobre cara insiste, Milo morde-o e torna-se mal-humorado (como se dizesse: “eu adverti”).
Além disso é persistente, quase obstinado. Quando quiser alguma coisa, tenta até consegui-la. Assim aprendeu abrir as portas dos dormitórios e a desligar o telefone quando alguém chamar. O mais engraçado é que parece que estou descrivendo uma pessoa, não é verdade? Por isso eu escrevi que o comportamento dele era quase humano. Tentarei de lembrar que é um gato para terminar a descrição.
Ele é cinzo e preto. Dado que as patas de Milo são brancas, assemelha usar pequenas luvas e botas brancas. A cor preta faz desenhos no corpo dele como se fosse um pequeno tigre (Não é um exagero chamá-lo tigre gente, eu já conheci os efeitos das garras dele). Milo é muito cumprido, mede 55 cm (se fosse pessoa seria muito alto) e é robusto (8 quilos! Se fosse pessoa seria gordo). É muito bonito, de fato é lindissimo (se fosse pessoa seria um gato =) ), qualquer pessoa acharia que é um doce de gatinho. Contudo as apariências enganam: não é nada amável e às vezes pode ser agressivo, como já descrevi. Gosta de comer peixe (adora o atum), jogar com os brinquedos dele (sobretudo com borsas de plástico feitas bolas) e dormir na minha cama. Enfim, embora o Mina possa ser geniudo, ele é uma pessoa (ou gato, já não sei como chamá-lo) muito legal.

quarta-feira, outubro 19

JOÃO O TERRÍVEL (A NARRACÃO)

JOÃO O TERRÍVEL (NARRACÃO)
SALVADOR CARREÑO

Estava a terna e doce professora Maria na sala, pronta para começar com a suas aulas, quando pedindo silêncio ás crianças, escandalosas como são, achou que um menino, de nome João, brincava com una navalha, pinicando a banca dele com a faca.
Então, a Maria chegou até ele, estendeu a mão direita e disse:

- Eaí menino, não faça isso porquê é perigoso; além, faz estropício na banca. Me dá por favor a sua navalha?

O menino olhava serio á professora e, sem dizer palavra, agitou a navalha e “fiiiiiizzz!”, cortou á professora os dedos menor e anular. A Maria, tranqüila, falou:

- Oh menino, isso me faz sentir dor, acredita que precisava faze-lo?
- Acredito, sim, o dedo menor não serve para nada, e sem o anular você não poderá casar com ninguém que a maltrate.
- Ah, já vejo carinho, obrigada pela sua procupação, mas acho que precisa dar-me a navalha ou va fazer danho mesmo a você.

De novo, João sujeitou a navalha e de um certeiro movimento cortou o dedo médio.

- Menino, isso não era necessario, porque o fez?
- Desculpe professora, foi um erro, porquê eu devia cortarlo desde antes, com os outros.
- Está bem, garoto, não vamos brincar mais, me dá a navalha neste momento...

Por toda resposta, o João cortou os dedos indicador e polegar da Maria.

- Menino raiboso, com esses dedos ainda podería escrever. Agora sim ficou sem aulas...

“E sem professora”, exclamou o menino, ao tempo que cravava a navalha no coração da Maria.

Beleza, a descrição

BELEZA (A DESCRIÇÃO)
SALVADOR CARREÑO

As flores ficam empobrecidas se estarem onde você; são tão belas suas formas, que as mais lindas rosas são à-toas ao seu lado. As cores do horizonte tornam-se cinzentas junto de você; tão formosa é sua branca pele, tão intensa a verde dos seus olhos, tão negro o seu encaracolado cabelo e tão vermelhos os seus labios, que quando estou perto de você não quero ver mais nada.

As formas engraçadas dos cisnes e as garças são malogrados tecidos de penas frente ao corpo atlético de você, com essas mãos e esses pés magros e alongados. Suas pernas, fortes, falam de alguém vigoroso, intenso, com a energia dos felinos e a força dos ursos. Seus braços, musculosos, façem sentir assim, na distancia, o calor dos seus abraços.

Até o nariz de você tem de sua a beleza, tão reta, tão bem posta que é sinônimo de elegância e garbo, marco insustituível para essa boca, nem grande nem pequenha, cujos selinhos são a ternura e cujos beijos são a paixão. É tanta a beleza do seu corpo despido que o vento faz murmúrios de prazer passeando pelas curvas das suas costas, da sua pelve, das suas bundas.

Além de isso, o interior e também de sonho. O seu cérebro de privilégio, com o pensamento claro e moderno, límpido e honesto, dota ás palavras com o ponto preciso da sedução, o toque justo da persuasão e nível exato do convencimento.

E o seu coração, un coração de ouro e sim perfídia que tem tanto amor para oferecer, e que você decidiú que seja para mim. Qué legal!

segunda-feira, outubro 17

Olho de peixe

Acordei de novo no mesmo lugar, rodeado de agua e plantas. Como não tenho pálpebras, só tente me quitar a fiaca e começar a nadar pelo pequeño espacio que agora é minha casa.
Ainda não há luz no céu, mais ja estou com fome. Onde está essa menina quando eu necessito-a?
Entanto ela chegar eu vou treinar um pouquinho, mue corpo está cheinho e hoje, pela tarde, vou ver ao peixe que é tão lindo como eu.

E aí, qué o que vejo! uma cara grande grande, não, duas caras grandes grandes. São duas meninas, a garota de sempre e uma criança mais. Sim!!! É a hora de jantar.
—Mais, não fiquem aí, quero comer soazinho. Nossa! Glup! Porqué quando como é todo um show?! Glup! Não acredito, puxa, vajam embora meninas!!!

Despois do show da comida vem o seguimento dos dedos das garotas. “Nado arriba, nado embaixo”.Qué acham tão divertido. Em seguida, elas batem minha casa e eu corro, é isso tão engrassado?



Hoje é dia da limpieza da água. Ainda é bonito ter a casinha limpa e cristalina, não gosto muito do processo. Saio da água quente e chego a um copo pequeno onde não tenho nada, só agua. Depois ela tira todos meus belos excrementos e até a comida que eu não quis. Em seguida, eu volto ao vaso frio.

—A menina de novo!!! Sua cara grande, grande. Achará que estou contente e que por isso me movimento tão rápido? Não! Estou com frio!!!

Bom, mais tudo tem sua recompensa. Elas trazem pra mim um amigo peixe. É igual que eu, tem cores brilhantes (azul e rosa) iguais aos meus, os mesmos olhos e até um rabo tão elegante como o meu. Quando eu digo “oi, meu amigo! glup” ele diz também “oi meu amigo! glup!” e fecha a boca ao mesmo tempo que eu. Nado com ele, pra cima, pra embaixo, para adiante, para trás.

—Não meninas, não o levem ainda!!! Bom até amanhá meu amigo!!!

O céu torna-se preto de novo. Eu fico tranquilo no meio da planta e volto a sonhar.


Oi gente…

Bom… primeiro eu peço uma desculpa porque não tenho escrito nada neste blogue. Acontece que estou muito ocupada com coisas da universidade. Darei uma palestra no Congresso da Associação Mexicana de Estudos Internacionais (AMEI) na quinta feira em Guerrero. A palestra vai se – chamar “A evolução da segurança internacional: do conceito militar ate a segurança humana”.
Gosto muito dos temas de segurança tradicional más também de um conceito integral da mesma como segurança humana que é um conceito pouco estudado, mas interessante, pois argumenta que as pessoas não somente estão inseguras se tem guerras se não que também o estão si não tem comida, vestimenta, emprego, etc. Paz não é ausência de guerra!!
Bom, eu espero minha palestra seja boa. Se alguém de vocês quer viajar comeu e escutar-lha, bem vindo.
Alem do mais, durante tudo o dia faço muitas coisas. Eu sou professora na faculdade de Ciências Políticas e Sociais na UNAM, estudo um Mestrado em Estudos em Relações internacionais e dois línguas, português e árabe.
Sou professora duma turma de 82 alunos, Política Internacional Contemporânea e, de outra, Desenvolvimento Humano onde há 22. Eu gosto de dar aulas más quase todo meu tempo vai para lá.
Política Internacional Contemporânea é uma matéria que gosto muito. É o seminário onde praticamente se estudam 60 anos de história; desde 1945 ate agora... imaginem, é muito para tão pouco tempo ne?
Os alunos e eu vemos temas como o expansionismo estadunidense, japonês, das potencias européias; Segunda Guerra Mundial; bloqueio de Berlim; organizações militares como OTAN e Pacto de Varsóvia; descolonização de Ásia e África; os conflitos árabe-israelenses; o capitalismo e o socialismo e comunismo; blocos mundiais; tratados de desarme; União Soviética; pobreza; desenvolvimento humano; problemas ecológicos; etc.
Como vocês vêm, são muitas coisas para tão pouco tempo (mais o menos 26 aulas de 2 horas cada uma).
Na outra aula, Desenvolvimento Humano, somente somos 23 pessoas; 22 alunos e eu... É importante dizer que esta é uma aula nova; nova porque é a primeira vez que se da na faculdade. De fato, 3 dias antes de começar o curso ainda não estava aprovada pelo Conselho Universitário. É uma matéria que está a proba más desejo que fique no programa oficial porque é muito necessária nas relações internacionais...
Nesta vemos temas como pobreza, meio ambiente, legislação internacional do desenvolvimento humano, segurança humana, e a situação do mundo em geral respeito a distribuição da riqueza.
Em minha opinião é importante que os alunos conheçam a situação para que tomem consciência e dão alternativas para deixar o subdesenvolvimento de nossos paises.
Alem de dar aulas estudo o mestrado na faculdade. Minhas linhas de investigação são a segurança, militar e humana, desenvolvimento humano e outros temas sociais...
Estou fazendo minha tesi que se chama quase como minha palestra, “A evolução da segurança: do conceito militar ate a segurança humana”.
Alem de estudar português, estudo árabe porque gosto muito desta cultura. Teve a oportunidade de viajar a Marrocos fez 3 anos e eu fique namorada do pais, da gente, da comida, da língua... O árabe é uma língua muito difícil más gosto dela então espero falar em alguns anos...

Bom... acho que isso é tudo. Prometo escrever mais em quanto volte de palestra.
Beijos. Boa sorte!!!

Sandrakanety.

p.d: leiam... está en espanhol mas é interessante...

Caras y caretas
"El Día de la Raza pasó a ser el del Encuentro. ¿Son encuentros las invasiones coloniales?"

Eduardo Galeano

¿Cristóbal Colón descubrió América en 1492? ¿O antes que él, la descubrieron los vikingos? ¿Y antes que los vikingos? Los que allí vivían, ¿no existían?
Cuenta la historia oficial que Vasco Núñez de Balboa fue el primer hombre que vio, desde una cumbre de Panamá, los dos océanos. Los que allí vivían, ¿eran ciegos?
¿Quiénes pusieron sus primeros nombres al maíz y a la papa y al tomate y al chocolate y a las montañas y a los ríos de América? ¿Hernán Cortés, Francisco Pizarro? Los que allí vivían, ¿eran mudos?
Nos han dicho, y nos siguen diciendo, que los peregrinos del Mayflower fueron a poblar América. ¿América estaba vacía?
Como Colón no entendía lo que decían, creyó que no sabían hablar.
Como andaban desnudos, eran mansos y daban todo a cambio de nada, creyó que no eran gentes de razón.
Y como estaba seguro de haber entrado al Oriente por la puerta de atrás, creyó que eran indios de la India.
Después, durante su segundo viaje, el almirante dictó un acta estableciendo que Cuba era parte del Asia.
El documento del 14 de junio de 1494 dejó constancia de que los tripulantes de sus tres naves lo reconocían así; y a quien dijera lo contrario se le darían 100 azotes, se le cobraría una pena de 10 mil maravedíes y se le cortaría la lengua.
El notario, Hernán Pérez de Luna, dio fe.
Y al pie firmaron los marinos que sabían firmar.
Los conquistadores exigían que América fuera lo que no era. No veían lo que veían, sino lo que querían ver: la fuente de la juventud, la ciudad del oro, el reino de las esmeraldas, el país de la canela. Y retrataron a los americanos tal como antes habían imaginado a los paganos de Oriente.
Cristóbal Colón vio en las costas de Cuba sirenas con caras de hombre y plumas de gallo, y supo que no lejos de allí los hombres y las mujeres tenían rabos.
En la Guayana, según sir Walter Raleigh, había gente con los ojos en los hombros y la boca en el pecho.
En Venezuela, según fray Pedro Simón, había indios de orejas tan grandes que las arrastraban por los suelos.
En el río Amazonas, según Cristóbal de Acuña, los nativos tenían los pies al revés, con los talones adelante y los dedos atrás, y según Pedro Martín de Anglería las mujeres se mutilaban un seno para el mejor disparo de sus flechas.
Anglería, que escribió la primera historia de América pero nunca estuvo allí, afirmó también que en el Nuevo Mundo había gente con rabos, como había contado Colón, y sus rabos eran tan largos que sólo podían sentarse en asientos con agujeros.
El Código Negro prohibía la tortura de los esclavos en las colonias francesas. Pero no era por torturar, sino por educar, que los amos azotaban a sus negros y cuando huían les cortaban los tendones.
Eran conmovedoras las Leyes de Indias, que prote-gían a los indios en las colonias españolas. Pero más conmovedoras eran la picota y la horca clavadas en el centro de cada Plaza Mayor.
Muy convincente resultaba la lectura del Requerimiento, que en vísperas del asalto de cada aldea explicaba a los indios que Dios había venido al mundo y que había dejado en su lugar a San Pedro y que San Pedro tenía por sucesor al Santo Padre y que el Santo Padre había hecho merced a la reina de Castilla de toda esta tierra y que por eso debían irse de aquí o pagar tributo en oro y que en caso de negativa o demora se les haría la guerra y ellos serían convertidos en esclavos y también sus mujeres y sus hijos. Pero este Requerimiento de Obediencia se leía en el monte, en plena noche, en lengua castellana y sin intérprete, en presencia del notario y de ningún indio, porque los indios dormían, a algunas leguas de distancia, y no tenían la menor idea de lo que se les venía encima.
Hasta no hace mucho, el 12 de octubre era el Día de la Raza.
Pero, ¿acaso existe semejante cosa? ¿Qué es la Raza, además de una mentira útil para exprimir y exterminar al prójimo?
En el año 1942, cuando Estados Unidos entró en la guerra mundial, la Cruz Roja de ese país decidió que la sangre negra no sería admitida en sus bancos de plasma. Así se evitaba que la mezcla de razas, prohibida en la cama, se hiciera por inyección.
¿Alguien ha visto, alguna vez, sangre negra?
Después, el Día de la Raza pasó a ser el Día del Encuentro.
¿Son encuentros las invasiones coloniales? ¿Las de ayer, y las de hoy, encuentros? ¿No habría que llamarlas, más bien, violaciones?
Quizás el episodio más revelador de la historia de América ocurrió en el año 1563, en Chile. El fortín de Arauco estaba sitiado por los indios, sin agua ni comida, pero el capitán Lorenzo Bernal se negó a rendirse. Desde la empalizada, gritó:
-¡Nosotros seremos cada vez más!
-¿Con qué mujeres? -preguntó el jefe indio.
-Con las vuestras. Nosotros les haremos hijos que serán vuestros amos.
Los invasores llamaron caníbales a los antiguos americanos, pero más caníbal era el Cerro Rico de Potosí, cuyas bocas comían carne de indios para alimentar el desarrollo capitalista de Europa.
Y los llamaron idólatras, porque creían que la naturaleza es sagrada y que somos hermanos de todo lo que tiene piernas, patas, alas o raíces.
Y los llamaron salvajes. En eso, al menos, no se equivocaron. Tan brutos eran los indios que ignoraban que debían exigir visa, certificado de buena conducta y permiso de trabajo a Colón, Cabral, Cortés, Alvarado, Pizarro y los peregrinos del Mayflower.

Descripção

Oi! Galera

Embora tinha deixado de escrever neste blog por muito tempo, agora volto com mais vontade de escrever. A razão é simple, já estou cansado de fazer meus trabalhos para a escola e quis tomá-me um tempinho para distraê-me. Sei que tenho pendente uma descripção, por tanto, é momento de fazé-la. . O título de minha descripção é Biblioteca Central num fim de semana, mesmo que pudesse se chamar População da Biblioteca Central num fim de semana. Estudo quase sociológico feito ao vapor num momento de ociosidade. Mas este último título pareceu-me, além de muito longo, muito pretencioso. E como minha intenção não é ser pedante ou soberbo deixei o título mais curto. Mas já foi muito de línguasa e nada de descripção assim que començarei.
Diez da manhã, estou nas portas da biblioteca central, é domingo e os Pumas não jogaram. Cidade universitaria está quase abandonada, somente alguns almas divagam por estes lares. Gente que vaí a C.U. para fazer exercício, aproveitando as grandes extenções verdes que tem a universidade, as vezes, decidem parar na loja que fica em frente da faculdade de filosofia para tomar um refrigerante ou algo que calme a sed deles. Quase todas as pessoas que passam por aquí vestem roupas esportivas, só um que outro não tem esse tipo de roupa. Caminho en direcção à porta da Biblioteca, atravesso o umbral que separa o mundo ordinario de o mundo das pesquiças e dos livros e de muitas outras coisas. Caminho até o interior, acho o primer pasilho, turmas e turmas de meninos de preparatoria vão dum lado para outro, num movimiento quase frenético. É difícil não perguntá-se que faz tanto rapaz prepariatoriano num domingo na Biblioteca Central? A única resposta que me vem à cabeça é que os mandaram da escola deles. Brincadeiras e sorrisos são o comúm denominador deste pasilho, rapaces puxando rapaces, entanto as meninas os olham dissem: “já deixem de fazer isso, não são crianças e tem que compartá-se” Afasto-me deste andar maluco, para ir onde ficam as mesas de trabalho. ¡Que surpresa! gente por todos lados, universitários voraces cheiam a sala. Quem ía a imaginar que a Biblioteca Central tería tanta gente em seu interior um domingo as diez da manhã. Procuro um lugar onde sentá-me, o encontro, saco os livros que vou precisar durante o día e volto a meu redor para ver quem está a meu lado. Engenheiros, arquitetos, gente de ciencias e um que outro aluno fazendo a monografía para obter o título deles em seus respectivos cursos de formatura. O ambiente é desconcertante, barulho por todas partes, mas não é um barulho de festa não, é um barulho quase imperceptível desse que sai da boca sem que um seja consciente de que saiu. As pessoas que estam a meu redor, ao igual que eu, ficam mergulhadas neste lugar afastado da realidade, neste lugar onde as preocupações pela entrega do trabalho de manhã são mais importante que qualquer coisa. Os rostros de todos os aquí presentes se introduzem nos livros que têm nas mãos, como se quiserem devorá-los. Algum que outro rapaz, procura namorar à menina que está sentada sozinha numa mesa, tal vez ela esteja esperando o namorado dela, mas disso não se tem certaza, assim que o rapaz tenta conquistá-la. Na mesa que fica em frente de mim uma turma de arqutetos construiem a casa do futuro, claro apenas uma maqueta, mas eles acham que assim será nossa realidade em uns anos. Outro garoto que está um pouco mais longe de onde eu fico, tem uma cara de que a noite de ontem esteve agitadíssima, nem ele se aguanta. Mas como bom soldado, ele se morre ao pé do canhão, e vem a bilbioteca para terminar o dever de casa que tem que entregar na segunda feira. E assim cada um das pessoas que ficam neste lugar tem uma historia que os acompanha, embora neste momento todos sejam parte da população da Biblioteca Central.
Em conclução pudemos dizer que a população da biblioteca Central num fim de semana se compõe de três tipos de pessoas: a) esportistas que ficam fora do lugar mas que as vezes entram para ver o que acontece dentro, b) a rapaciada prepariatoriana que tem que vir por que os mandaram da escola, y c) universitarios que tem que fazer deveres de casa e que não tiveram tempo para fazê-lo nas casas deles. Mas o morador mais importante da biblioteca Central neste e em todos os fim de semana é a turma de historias que fazem posível que esta Biblioteca esteja tão cheia de vida, embora seja fim de semana.

domingo, outubro 16

Descrição de um sonho

Tenho um sonho, um sonho que volta com freqüência, já o conheço muito bem, desde que inicia o reconheço e sempre vislumbro seu final. Começa em algum lugar perto da praia,o chão é de cimento, mas esta regado de areia. O dia não é quente, devem ser as seis da tarde, porque não esta escuro mas também não há muita luz. Eu vou caminhando, com os olhos fixos num ponto adiante, estou um pouco encorajado, triste, molesto por algo que ainda não sê que é, só sê que me sinto mau. Não estou sozinho, alguém me acompanha, sempre é uma pessoa com quem tive algum problema durante o dia, quando estava desperto. Não falamos, não batemos papo, inclusive nos evitamos.
Sem nenhuma razão nos dirigimos para a praia, cada vez ouço mais o som do mar, como as ondas caem pouco a pouco mais forte.
Depois posso ver que o mar já invadiu a praia, a maré tinha crescido. Nós seguimos avançando pela praia, o água me molha os pés e me molesta a areia que se afunda. De repente uma onda cresce muito, quase como se fosse uma parede escura que se move, se vê ameaçante, como se o mar estivesse vivo e me pudesse olhar. A onda cai e come-se tudo, eu só me sinto perdido, confundido, não posso ver nada. Depois de lutar desesperado, creio que vou morrer, não posso respirar. Ao fim, consigo sair, e o primeiro que faço é procurar a meu acompanhante. Mas ele nunca aparece. O mar é agressivo e não me permite procurar bem. As pessoas na praia gritam, todos gritam como loucos espantados, mas eu só penso na pessoa que me acompanhava.
Ele não regressa a superficie e eu começo a sentir uma grande culpa. Me dói a garganta, como se me tivessem batido na goela, tenho ganhas de chorar e me sinto arrependido de algo que não conheço. Mas agora não posso pedir perdão, não posso arrumar meu problema com aquele que me acompanhava, murreu.
Finalmente, o mar me pega de novo, uma grande onda me apanha. Esta vez não posso sair do agua, meu último esforço é pra despertar-me. Abro os olhos sem poder respirar bem ainda. Estou com asma.
Esse é meu sonho, uma historia que se repete as vezes, onde morrem algumas pessoas que quero mas não posso recuperar, por orgulho, por agastamento ou simplesmente por tonto. Pode ser meu sentimento de culpabilidade.